Solenidade de São João Batista

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Neste domingo celebramos a memória de uma pessoa importante paras a caminhada das comunidades cristãs, desde seu início. João Batista é profeta popular, lembrado como aquele que anuncia o libertador. É dom de Deus ao seu povo e esperança para os/as oprimidos/as.

A Palavra de Deus vem reforçar essa presença profética na história do povo. Na primeira leitura (Is 49,1-6),  a comunidade  judaica exilada na Babilônia,  provoca-nos para pensar na missão profética  do grupo que passa por grandes desafios vivendo longe de sua terra. Essa leitura está na segunda parte do livro de Isaías, chamada de segundo ou dêutero Isaías. A comunidade profética que escreve está vivendo os tempos finais do exílio, em meados do 6º século AEC (antes da era comum).

A realidade daquele grupo se mostrava sem solução. Até Deus parecia estar distante. Para animar esse grupo enfraquecido, desanimado e em esperança, surge a figura do “servo” – um povo com uma missão no mundo. É uma missão difícil e exigente, mas a certeza da presença da divindade da vida dá a força necessária.

Como está nossa presença junto às pessoas explorados, excluídas e injustiçadas do nosso tempo? Que palavras temos pronunciado? Somos sinais de esperança?

Na segunda leitura (Atos 13,22-26), a Comunidade de Lucas faz memória de Paulo entre os grupos que começavam a ouvir a mensagem de Jesus. Em suas palavras, Paulo lembra alguns momentos da caminhada do povo e apresenta a profecia de João Batista como aquele que veio preparar a vinda de Jesus, propondo um batismo de conversão: uma transformação radical das mentalidades.

No Evangelho (Lc 1,57-66.80) a Comunidade de Lucas faz memória do nascimento de João. De acordo com o olhar dessa comunidade, a missão profética de João está na continuidade da história de libertação vivenciada pelo povo sofrido.

Tomo a liberdade de citar aqui parte do texto de Ana Maria Formoso, Missionária de Cristo Ressuscitado – MCR. Ela diz: “Hoje é a festa do nascimento do primo de Jesus, João Batista. Ele ainda estava na barriga da mãe, Isabel, quando esta prometeu à sua prima, Maria, avisá-la assim que ele nascesse. […]. Há um clima familiar e de empatia que também é profético, pois vivemos um clima de muita desconfiança e desesperança. As mulheres do Evangelho de hoje foram também inspiradoras da alegria do Evangelho, no sentido que souberam descobrir por onde há um fio de vida que deve continuar e comunicar-se, foram criativas, buscaram encontrar-se no meio das dificuldades da gravidez. […].  Foi a mãe de João Batista que pronunciou seu nome no espaço onde ia ser circuncidado, um espaço sagrado, diante de seus parentes que fizeram referência a seu pai, Zacarias. O pai foi respeitoso e escutou a voz de sua esposa. Diante do questionamento de seus vizinhos e parentes, Zacarias escreveu o nome que teve sintonia com sua esposa, não deu continuidade à tradição que esperavam os vizinhos e parentes. Temos um exemplo de uma ruptura que foi construída com respeito e teimosia, porque foi uma ruptura libertadora.”

O nascimento de João acontece num clima de mistério, de surpresas. A ação de Deus se faz nas condições menos prováveis da compreensão humana. A esperança para a comunidade está numa criança que nasce, sendo portadora da boa Nova de outra criança que está sendo gerada.

Não é possível refletir esses textos sem trazer presente a situação de sofrimento de tantas crianças, nesse momento da história. Em especial as crianças refugiadas, vítimas de exploração, de exposição humilhante e sofrimento. Dados do UNICEF revelam que atualmente há mais crianças deslocadas à força devido aos conflitos – cerca de 30 milhões – do que em qualquer outro momento da história desde a Segunda Guerra Mundial. Temos acompanhado por diversos meios de comunicação imagens e relatos de pequenos refugiados detidos atrás de grades metálicas, em condições desumanas.

Que possamos assumir o chamado à profecia nesses tempos de tanta violação de direitos!

* Por Fatinha Castelan, CEBI ES

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