[NOSSA VOZ] FINANCIAMENTO EMPRESARIAL: A POLÍTICA SE RENDE AO “DEUS” DINHEIRO

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Por Vinícius Borges Gomes*

O povo brasileiro, junto a diversas entidades, organizações e movimentos sociais, foi às ruas nos últimos anos trabalhar e discutir a Reforma Política. Foram duas frentes: a Coalização Democrática e o Plebiscito Constituinte. A principal semelhança entre ambas: garantir um debate amplo do Congresso junto à sociedade. Porém, o que se viu foi o contrário: os brasileiros e brasileiras foram solenemente ignorados em suas angústias pela Câmara dos Deputados. No lugar disso, uma “reforma” feita às pressas. O resultado: a constitucionalização da doação de empresas privadas a partidos políticos. A consequência: a perpetuação de um sistema que gera, cada vez mais, corrupção e relações antidemocráticas.

Nessa quarta-feira (27) a Câmara voltou atrás por meio de uma manobra regimental. Um dia antes (26) os deputados haviam reprovado uma Emenda Constitucional que legalizava a doação de empresas para campanhas eleitorais. Com a manobra, uma proposta semelhante voltou à pauta e foi aprovada. Os deputados legalizam que empresas doem a partidos políticos e estes possam repassar a seus candidatos. Toda essa votação impede que o Supremo Tribunal Federal (STF) termine uma votação que torna inconstitucional o financiamento empresarial. O Ministro Gilmar Mendes pediu vistas há mais de um ano, o que tem emperrado o processo.

Por que é tão prejudicial que empresas se envolvam dessa forma na política? A pergunta seria cômica se não fosse tão óbvia. Grande parte da totalidade dos casos de corrupção do Brasil envolvem relações indevidas de doações de campanha. É simples: a empresa doa e cobra a conta do político depois. Daí surgem as propinas, as obras superfaturadas e os contratos adulterados. O político eleito fica com a missão de defender quem o financiou em detrimento de seus próprios eleitores.

É tempo propício aos jovens dos grupos de base de todo país discutirem esses temas. O que está em jogo são direitos e a saúde de nossa democracia. A Igreja, que tem entrado no debate, precisa ampliar sua voz e provocar suas bases, sem a omissão de nenhuma de suas lideranças. A matéria ainda vai ao Senado, que deve ser pressionado a não permitir esse retrocesso.

“Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6, 24). O Evangelho de Mateus nos lembra do mal da rendição ao poder econômico. Assim como na vida pessoal, a sociedade não pode se render ao poderio do dinheiro. Quando isso ocorre, são suprimidos os interesses coletivos e se instaura um clima de competição desumano, que fatalmente desemboca na corrupção.

A política está oficializando sua cultura de rendição ao capital. O Congresso está vendendo as conquistas democráticas a empresas que podem continuar ditando o rumo da República. Nossos votos se tornam mercadorias cada vez mais caras.

É hora de discutir, formar, ler e opinar. Se, em nossos grupos de base, fecharmos os olhos para uma das maiores crises políticas dos últimos anos, estaremos sendo omissos, quando o que se espera das Juventudes é um protagonismo aguerrido.

A Câmara dos Deputados desrespeitou o Brasil. E nós, o que vamos dizer? Qual o melhor jeito de protestar? Que, ao rezar a agonia do Horto, saibamos dizer:
“Perdoa-nos quando, por medo, ficamos calados diante da morte. Perdoa e destroi os Reinos em que a CORRUPÇÃO é a lei mais forte!” (Pai Nosso dos Mártires).

Vinícius Borges Gomes é jornalista e Coordenador Nacional da Pastoral da Juventude pelo Leste 2 (MG e ES).

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