E começou a enviá-los de dois a dois

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Na Pastoral da Juventude desde cedo se aprende que somos cuidadores/as da juventude, ou das juventudes. Cuidar é um dom, cada um/a faz ao seu jeito, ao seu modo. Mas a liturgia desde domingo nos chama atenção para algumas dicas em nosso fazer pastoral.

Iniciemos com a memória narrada pela comunidade de Marcos. A imagem criada é por demais interessante. Jesus chama os apóstolos (e por que não as apóstulas também) e os(as) envia para a missão. Mas eles (as) são enviados (as) dois a dois.

Se analisarmos isso matematicamente, ele reduziu o número de missões pela metade fazendo isso. E se olharmos capitalistamente, num primeiro olhar, está pode não ter sido uma boa opção. Mas Jesus a faz. Por quê? Por que o jeito de fazer de Jesus é coletivo e não da individualidade!

Na coletividade, um ajuda ao outro/a! É assim! Para fazer juntos! Um aprendendo e ensinando com o/a companheiro/a. Trabalhando unidos/as para vencer as dificuldades impostas.

Hoje, o capital já aprendeu que isso é importante e às vezes pode ser mais eficiente que o trabalho isolado e/ou competitivo. Mas mesmo assim, há diferenças na proposta de Jesus. Poder contra os espíritos impuros, poder de libertar, de melhorar as relações.

Será que em nossos grupos e trabalhos assumimos a coletividade como opção pedagógica fundante, ou tem alguém querendo ser estrelinha, se sobressair em relação aos demais? O que vale é o crescimento grupal ou é o meu desenvolvimento pessoal?

 

Caminheiro caminhar…

 

Quando Jesus envia, Ele os envia para caminhar, para andar pelo povo, com o povo! Aqui temos uma imagem de um Deus que caminha com seu povo, que é companheiro de caminhada de cada um/a que são  ‘peregrinos nas estradas deste mundo desigual’. Não só Deus caminha mas manda que a gente caminhe também! Isso parece tão básico mas não é! Caminhar é diferente de passar motorizado de carro/moto. Caminhar está longe de se fazer chegar nas asas de aviões e com as hélices de helicópteros. Caminhar é estar junto passo a passo. É viver junto! É fazer experiência!  E Jesus mandou não levar nada… é viver e respeitar a realidade que acolhe e a partir do encontro gestar algo novo!

Estamos acostumados/as a ver muita gente que endinheirada (seja muito ou seja pouco) fazer do dinheiro um muro que separa quem doa de quem recebe. Mas a proposta de Jesus não é essa! E nós, PJ estamos esperando ter dinheiro para fazer as coisas, para cuidar dos/as jovens?

 

Na proposta de Jesus eles podiam levar um cajado. Por experiência de quem é caminhante, o cajado oferece segurança (contra um cachorro por exemplo) e também serve de apoio (seja para ajudar no equilíbrio, seja para nos impulsionar quando as pernas necessitam de apoio das mãos). Vejam que maravilhoso isso!!! Caminhemos povo, caminhemos juntos/as mas não percamos o equilíbrio nem façamos na doida nossas ações… precisamos de apoio e segurança!

 

Quando fazemos caminhada, aprendemos que só levamos conosco o básico/necessário. Para que duas túnicas? Para que tanto penduricalho se ‘o que importa é invisível aos olhos’? Para que acumular, por que não repartir?

 

Agora me coloco à pensar e convido a você: o Evangelho é boa notícia para todos/as? É fato que ele é universal, mas nem todos/as o enxerga com bons olhos. A pessoa e a proposta de Jesus não soa tão bem a quem outros senhores, inclusive a numa das CF anteriores alertávamos sobre um destes outros: vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro. Às vezes há quem relativiza uma coisa por aqui, outra acolá, dá um jeitinho aqui, uma forçadinha de lá, e sai umas teologias com propostas tão diferentes das de Jesus, que viveu em Nazaré, homem Deus.

 

Jesus também ensina a ao sairmos de onde não fomos aceitos, batermos o pé e sacudirmos a poeira. Para dar birra? Para dizermos que somos melhores que os/as outros/as? Não, nada disso. Mas é preciso ser firme na fé. Coerência é um diferencial, há elementos que são inegociáveis.

 

E com tudo isso os (as) apóstolos (as) saíram a anunciar a boa notícia afim de que o povo se convertesse. Algo que é tão bom não queremos que fique guardado só para nós, queremos espalhar, fazer com que outras pessoas tenham acesso e também  vivencie.  Mas atentemo-nos isso é fruto de um caminho, não é meramente proselitismo religioso.

 

E o que precisamos fazer? Não é nem deve ser um cristianismo mágico! Centrado apenas naquilo que parece ser “extraordinário”. Os sinais do Reino de Deus, narrados em diversas parábolas são simples como são as coisas do cotidiano e da natureza (é como a mulher que faz o pão e ele cresce, é como os lírios do campo…). Mas sim eles expulsavam demônios, e quantos não precisamos expulsar hoje de nossa vida e de nosso povo? Sim, eles curavam os doentes e nos também não podemos curar? Vivemos inclusive em um mundo que nos adoece e nós precisamos ajudar a curar. Não podemos deixar de dizer por exemplo do aumento significativo dos casos de suicídio inclusive entre os/as jovens. Não podemos ajudar? Somos pastoral não é mesmo? Outro fato recente é a liberação do uso de mais agrotóxico em nossas plantações; não está aí mais um campo de luta para quem quer reestabelecer a saúde das/nas pessoas? Pode-se curar instantaneamente? Sim pode! Mas o que mais vejo são curas processuais…

 

Tudo isso tem uma ligação direta com a primeira leitura tirada da profecia de Amós! Há várias maneiras de ser igreja, de ser pastoral. Uma delas é ser coaptada por outros lugares de poder, assim como era em Betel. Lá a religião estava a serviço do Estado, legitimando sua governança. Fico aqui lembrando de inúmeros exemplos ainda hoje de subordinação das Igrejas à propostas de governos e políticos, mas esta não é a maneira adequada… lá estava Amós para profetizar. E o melhor é que Amós não era ligado ao templo, ele era do campo, trabalhador rural. E foi a ele quem Deus chamou para profetizar. E fez tão bem os movimentos proféticos (que são o anúncio e a denúncia) que Amasias pediu para ele sumir.

 

Mas há a maneira de ser Igreja pautada na pessoa e na proposta de Jesus. Tudo o que falávamos no início deste texto dizia sobre isso. Papa Francisco no convida a termos o cheiro de nossos/as ovelhas. É desta maneira que devemos ser pastoral. Para isso é preciso caminhar junto, permanecer fiel a proposta e ajudar a caminhar. Estamos com cheiro dos/as jovens, ou cheiramos patrocinadores, políticos, governos?

 

E para ser fiel a está proposta, Paulo lembra a comunidade de Éfeso e nos recorda também hoje que Deus já nos abençoou para sermos santos e íntegros e que necessitamos da graças, da sabedoria e da inteligência.

 

E para terminar, trago uma fala de Cora Coralina, poetisa, que recentemente dá nome e sentido para um Caminho de 300km em Goiás e que em um de seus trechos se pode ler:

 

“O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada, caminhando e semeando, no fim terás o que colher”

 

Por Pedro Caixeta
CEBI GO

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