Conectar e Dinamizar: Pedro e Paulo

 

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Solenidade de São Pedro e São Paulo

Para que mais gente possa celebrar um dia tão significativo a Igreja no Brasil transfere a comemoração da solenidade de São Pedro e São Paulo para o domingo mais próximo. Por isso, estamos aqui conversando sobre esta festa. Mais do que a memória de dois discípulos de Jesus, celebramos dimensões essenciais no discipulado. Pra quem põe nos cartazes e camisas, textos e músicas, conversas e rezas, a expressão: “somos Igreja jovem”, este dia é tempo de celebrar o que é ser Igreja. De deixar evidente, de trazer a memória, contornos e perspectivas da vida da Igreja que tocam a todos e por isso não podem ser desconsideradas pela Pastoral da Juventude.

Na primeira leitura (At 12,1-11), a comunidade lucana expressa uma convicção. Deus ampara a comunidade. Os discípulos da primeira hora viram-se profundamente frágeis diante do império, que naquele tempo como hoje, utiliza-se de táticas populistas para se manter no poder (At 12, 1-3). Possivelmente esta se falando do ano 44, quando a comunidade vivia um momento intenso de perseguição.

Um marco importante “era a festa dos pães sem fermento” (At 12,3). Estamos falando da páscoa. Na construção da narrativa (soldados, destacamentos, grades, correntes…), vemos a dimensão do desafio que a comunidade vivia (At 12,6). A cena quer nos levar à conclusão de que era impossível. No entanto, aparece a figura do anjo (At 12,7). Tão presente na tradição bíblica para ilustrar que naquela situação a comunidade reconhece a intervenção de Deus (Lc 1, 11. 26; Mc 1,13; Gn 16,7) . Para os perseguidos de ontem e para os perseguidos de hoje, para os fracos de ontem e para os fracos de hoje, fica a certeza: não estamos sós. Aquele que nos chamou, a razão de nossas buscas, engajamentos, lutas e militâncias continua nos dando luz, alento, estratégias, perspectivas… Será que não é hora de você e eu acordarmos, levantarmos, apertarmos o cinto e calçarmos a sandália (At 12,7-8)? Onde a voz interior (o anjo de Deus)  toca-nos e nos chama?

Nestes tempos difíceis que também vivemos é uma alegria reconhecer que os planos de Deus confrontam os planos dos impérios. Se o império trama a morte. Deus nos anima a construir estratégias, a descobrir a brechas, para não desistir da comunidade, do Reino, do discipulado, do caminho que leva a vida.

Na segunda carta a Timoteo, aparece a figura de Apóstolo Paulo. É possível que seja de alguém que se inspirou em seu trabalho pastoral e não de “próprio punho”. Quem escreve a partir de uma boa trajetória de seguimento de Jesus, olhar o caminho feito e reconhecer. Fiz minha parte. Quando você olha o caminho que fez até agora no seguimento de Jesus que imagens, pensamentos e sentimentos povoam o seu coração? Ele usa uma imagem do sacrifício (2Tm 4,6),  do esporte (2Tm 4,6) para sinalizar que já deve estar próximo o fim de sua vida. Olhar o caminho feito a leva a crescer na consciência de que a quem se empenhou no amor Deus vai acolher no amor (2Tm 4,8) e para isso utiliza termos que se remetem as competições conhecidas no império romano. O importante é amar. Tornar o amor ação, escolha, conduta, capacidade de arriscar por aquilo, e mais ainda por Aquele que se ama.

Paulo reconhece o Senhor ao seu lado (2Tm 4,17) e você? Reconhece que a força que teve para anunciar a palavra e formar comunidades vem de Deus e não dele mesmo? Penso que se nós, assessores e coordenadores da PJ, pensássemos também assim nova vida e nossa articulação pastoral seriam diferentes. Mais importante do que quantos e quem me combate ou quantos e quem me aplauda é que estes embates e realizações sejam a expressão do seguimento de Jesus.

No trecho do evangelho escolhido para a festa de hoje, temos a confissão de fé de Pedro a partir do olhar da comunidade de Mateus (Mt 16, 13-19). A pergunta sobre quem é Jesus é fundamental para qualquer um que se diga seu discípulo. Qual foi a última vez que você parou para se perguntar isso? A resposta a esta pergunta não fala apenas do mestre, mas também da intimidade com Ele daquele que responde, bem como seu momento histórico, sua implicação com o que o circunda… A narrativa evangélica traz respostas ligadas à esperança e projeto que está presente no momento em que vivia a comunidade. Sua resposta conecta-se com que esperanças e projetos?

A fala de Pedro e a maneira que Jesus o responde sintetizam e testemunham a fé das primeiras comunidades: Jesus de Nazaré é o Messias, o ungido, o esperado, Nele, a bondade e a ternura de Deus revela-se de uma maneira única. Nele, Deus se desvela e nos revela a nós mesmos. A comunidade testemunha que quem faz esta descoberta, esta experiência é feliz. Encontrou o sentido da vida e da história. Essa resposta brota de uma experiência que tem em  sua raiz o próprio Deus (Mt 16,17). Quem faz esta descoberta torna-se Pedra, fundamento da comunidade. O ser Igreja esta alicerçado nesta experiência. Aos seus discípulos, Jesus afirma que o mal não prevalecerá. Faz de sua igreja um sinal de comunhão. O enfoque é no dom do perdão. A Igreja é convidada a ser a comunidade dos reconciliados e dos reconciliadores e não um lugar de fiscais e acusadores.

A comunidade de Mateus nos convida a permitir que o que acreditamos toque todas as dimensões da nossa vida. A comunidade constrói e é construída pela experiência de fé das pessoas que a compõe.

Ao olhar os textos deste fim de semana, deparamo-nos mais que com duas pessoas com duas dimensões da vida da Igreja. A comunhão, coordenação, conectividade representada na pessoa de Pedro, o ardor missionário, o anuncio da palavra, o ânimo testemunhados em Paulo. Quando falamos que Somos Igreja Jovem estas duas dimensões precisam estar presentes. Como vão estas duas dimensões me sua pratica pastoral? São convidados a construir e confirmar laços (conectar) e a formar comunidade, anunciar o fundamental, lembrar o relevante, descobrir caminhos e respostas para perguntas que até pouco tempo atrás não estavam formuladas (dinamizar). Você topa? Que a solenidade deste dia nos faça crescer no amor a Igreja e nos ajude a ser Igreja jovem lá onde estamos e com quem somos chamados a servir.

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