A vida em Comunidade testemunha a Ressurreição

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Por Fatinha Castelan, CEBI-ES
Estamos vivendo tempos difíceis. Em momentos desafiadores crescem as dúvidas, as incertezas e parece desaparecer a esperança. Mas, somos pessoas de fé! Como testemunhá-la, transformando nossa realidade e buscando os sinais da vida que vence a morte, da Páscoa – Tempo Novo? Eis o grande desafio da Comunidade seguidora do ressuscitado!

Na Liturgia do 3º domingo da Páscoa somos convidadas e convidados a refletir sobre o sentido do testemunho da Comunidade, apesar das dúvidas e dos medos.

Na 1ª Leitura (At 3,13-15.17-19) e no Evangelho (Lc 24, 35-48), o convite é para uma reflexão que a própria Comunidade Lucana está fazendo, quando se depara com as perguntas que tinham se acumulado, sobre as notícias que circulavam em relação àquele grupo de seguidoras e seguidores de Jesus: uma nova maneira de viver e celebrar provocava a curiosidade e também reação de pessoas que sentiam-se incomodadas. A ação da comunidade seguidora de Jesus aparece como continuidade da própria ação do ressuscitado. Mas como é possível? Ele não é também o crucificado? Não foi assassinado pelo império romano e pelas autoridades judaicas?

A Comunidade de Lucas considera no testemunho de Pedro e João, de Cléofas e Maria a ação necessária para o seguimento de Jesus. Não é pregação, palavra anunciada, mas vidas transformadas a partir da fé. Os discípulos e as discípulas são agentes para a continuação da ação libertadora e salvadora no mundo.

É, em geral, nos tempos de sofrimento e de dificuldades que costumamos desanimar ou buscar desculpas para não estar plenamente em missão. Nesse sentido, a Comunidade de Lucas nos faz uma provocação: não podemos ficar parados diante dos questionamentos que desafiam a nossa esperança e nem diante das dificuldades no seguimento. Somos convidadas e convidados a ter uma palavra firme e uma prática transformadora.

No Evangelho, a Comunidade de Lucas faz memória de um episódio com um casal de discípulos que sente-se desafiado a anunciar que Jesus está vivo. Na experiência de Maria e Cleofas, que comeram com Jesus e após reconhecê-Lo retornaram para Jerusalém, podemos encontrar a força e a coragem para seguir no caminho do discipulado.

A Comunidade de Lucas faz memória desse encontro apresentando a condição dos discípulos e discípulas: medo, perturbação e dúvida. A comunidade, cercada por um ambiente hostil, sente-se desamparada e insegura. O medo e a insegurança desaparecem a partir do momento que a comunidade faz a experiência de encontro com Cristo ressuscitado. E é no partir do pão que a experiência se plenifica. Porque ressurreição é a própria vida acontecendo, se concretizando: pão partilhado, acolhida, esperança renovada, coragem para as lutas diárias…

A Comunidade Joanina (1Jo 2,1-5a) testemunha sua fé em uma realidade também desafiadora. Ela reconhece que não é fácil manter-se fiel no testemunho e anima o grupo a seguir acreditando na presença libertadora do ressuscitado. A exortação apresentada na carta é para que a comunidade viva os mandamentos de Deus e faça brilhar seu amor no meio do mundo.

Mas o que significa conhecer a Deus e guardar o seus mandamentos? Para a Comunidade Joanina esse conhecimento de Deus não é algo abstrato, fora do mundo. É o conhecimento que vem da experiência profunda com Deus, cultivada na vida concreta como irmãs e irmãos. O processo de conhecimento de Deus passa pela prática das ações propostas e vividas por Jesus: “amar como Jesus amou, sonhar como Jesus sonhou, cantar como Jesus cantou, viver como Jesus viveu…” (Pe Zezinho).

Não é possível assumir um compromisso com Deus, afirmar nosso amor por Ele e seguir alimentando atitudes de intolerâncias, de julgamentos e condenações, de ódio, de racismo. O caminho para a vivência do amor de Deus, testemunhado na ressurreição de Jesus é o caminho que conduz para a fraternidade, a equidade e a paz.

E é por isso que não podemos desanimar jamais… Somos testemunhas da Vida!

 

Quando morrer a utopia
https://www.youtube.com/watch?v=WDQGhqnWhmM

Quando morrer a utopia, quando morrer a utopia,
toda canção, toda paixão, toda razão morrerão.
Quando morrer a utopia, quando morrer a utopia,
terra e céu, terra e céu, terra e céu tombarão.
Quem cuidará das estrelas, quem velará pelas flores,
no coração, em nosso chão, quando morrer a utopia?
Por isso é que sonhamos, por isso é que arvoramos,
com a canção, com a paixão nossa utopia, irmãos!

 

(Música e letra: Gilbert Bácaud e Louis Amade.
Versão do francês para o português: Pedro Casaldáliga)

 

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