Sustentabilidade na Pastoral da Juventude

SUSTENTABILIDADE NA PASTORAL DA JUVENTUDE

Por Eduardo da Amazônia*

A captação de recursos tem sido um dos desafios no caminho da evangelização de jovens no seguimento da Pastoral da Juventude. Os bispos do Brasil apontam uma crise de investimentos que interferem diretamente no processo de educação na fé na qual se propõem os grupos de base (Doc. 85, nº 187).

Neste sentido, apontam a necessidade de “investir maiores recursos humanos e financeiros nas dioceses e paróquias para as estruturas de formação e acompanhamento da evangelização dos jovens” (Doc. 85, nº 201). No ano do Sínodo d@s Jovens, faz-se necessário também escutar com seriedade esta questão e discernir junto com eles/elas, estratégias que possam dar condições para vivam os caminhos do Senhor.

Não se trata apenas de garantir recursos financeiros para as atividades, mas incentivar a cultura da solidariedade com a juventude. Afinal, não se trata de gastar o que lhe sobra, mas investir com o aquilo que se possui pra viver (Cf. Lc 21,1-4). Esta atitude também perpassa pelos valores evangélicos da partilha e do compromisso, pois revive a experiencia das primeiras comunidades cristãs onde tudo era colocado em comum (At 2,42-47).

Dificilmente garante-se sustentabilidade financeira, sem uma sustentabilidade político-pastoral. Uma atividade pode ter verba suficiente para garantir as estruturas, mas se as pessoas envolvidas não tiverem um bom diálogo com o clero e/ou a comunidade, corre o risco de realizar uma ação isolada apenas pra si. Sem contar que parcerias com outras organizações eclesiais e/ou sociais são estímulos para quem puder colaborar com a Pastoral da Juventude.

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A capacitação técnica também é uma estratégia de sustentabilidade pois além de garantir uma contrapartida em atividades formativas, possibilita a qualidade no planejamento pastoral. A ação evangelizadora também depende de pessoas em formação permanente que ajudem tanto no processo de educação na fé, quanto na organização contribuindo em elaboração de projetos, etc.

Sorteios, passeios, vendas de lanches, etc. também não deixam de gerar recurso para a ação pastoral, sobretudo de forma pontual. Entendendo a Pastoral da Juventude como uma pastoral de processo, faz-se necessário atualizar as estratégias de captação de recursos financeiros que ampliem a possibilidade de investimentos. Os editais públicos e privados, as campanhas comunitárias, o financiamento coletivo (crowdfunding) e a economia popular solidária¹ são alguns caminhos possíveis.

Toda iniciativa sustentável necessita também de organização, comunicação e participação. Não adianta elaborar um bom projeto, se não estiver com condições de executar, sobretudo prestar contas. Não adianta desenvolver boas práticas se elas não conseguirem ser divulgadas. Não adianta garantir estrutura se a juventude não está presente nos processos de execução, realização e avaliação.

É compreensível as limitações d@s jovens em relação ao financiamento de ações, mas também notória a capacidade de articulação juvenil em prol de uma causa. Afinal, a juventude é o principal capital humano responsável em mobilizar mais do que recursos, mas a solidariedade em favor da sua vida.

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¹ Confira a publicação “Juventude e Economia Solidária” produzida pela Cáritas Brasileira: http://caritas.org.br/wp-content/files_mf/1407962179livro_economia_solidaria21.pdf

*Eduardo da Amazônia é militante da Pastoral da Juventude no Pará (CNBB/Norte 2).

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