[NOSSA VOZ] Superação da violência: Enfrentamento aos Ciclos de Violência Contra a Mulher.

NOSSA VOZ março

Por Bianca Ortega e Sabrina Ortega F. Lima

Antes de mais nada, é importante começar dizendo como é difícil para nós mulheres escrever um texto sobre nossas dores. Muitas vezes é preciso fazer algumas leituras para ajudar na reflexão deste assunto, ler algumas noticias de jornais, leituras bíblicas e dados sobre o alto índice de violência contra a mulher para entendermos de maneira mais clara o chão que pisamos. Estas leituras nos mostram que é difícil, mas muito importante falar sobre a superação da violência contra mulher.

Este ano estamos vivendo no Brasil, a Campanha da Fraternidade que tem como tema ‘superação da violência’, e nós, pjoteiras e pjoteiros, contamos com a Campanha Nacional de Enfrentamento aos Ciclos de Violência Contra a Mulher, lançada pela PJ Nacional no último ENPJ, em Rio Branco/AC, que nos ajudará na reflexão desta temática e fortalecerá nossa luta na superação da violência contra a mulher. Essa Campanha se faz necessária frente a tantos casos de abuso, assédio e silenciamentos sofridos por tantas companheiras.

Não é fácil e nem tranquilo fazer esta conversa, principalmente, porque muitas dessas violências sofridas por nos mulheres já está enraizada na nossa cultura, que é patriarcal e é praticada por todas e todos nós, homens e mulheres, sem que saibamos.

Para entender melhor é preciso entender o que é a violência contra a mulher e como ela se naturaliza no nosso dia a dia. Segundo uma breve pesquisa na Internet:
“A violência contra a mulher é todo ato que resulte em morte ou lesão física, sexual ou psicológica de mulheres, tanto na esfera pública quanto na privada. Às vezes considerado um crime de ódio, este tipo de violência visa um grupo específico, com o gênero da vítima sendo o motivo principal. Este tipo de violência é baseada em gênero, o que significa que os atos de violência são cometidos contra as mulheres expressamente porque são mulheres.” (Disponível em: https://goo.gl/Usou7Y).

O que nos leva a perguntar: onde essas violências acontecem? Para responder essa pergunta é preciso olhar para o nosso cotidiano, em nossas casas, trabalhos, escolas, comunidades/Igrejas, relacionamentos, grupos de jovens, enfim, em todos os espaços de convivência onde há a presença de mulheres e refletir como nos relacionamos com elas. Os ciclos de violências se iniciam nesses espaços de convivência social: diversos tipos de assédio nos transportes públicos (metrô, ônibus, taxi, uber…) e nas ruas; insinuações e desvalorização por ser mulher nas escolas, faculdades; e no trabalho, o mesmo, piadas, rótulos, xingamentos, os salários desiguais, tarefas designadas só ao gênero feminino, etc. A violência física, o assassinato de mulheres – Feminicídio – é o mais grave ponto no ciclo dessa violência cotidiana. Até lá sofremos variadas e pequenas violências, que nos silenciam, humilham, adoecem e que são naturalizadas por todas e todos nós.

A violência doméstica e sexual, infelizmente tem crescido nos últimos anos, o Feminicídio, violência praticada contra o gênero feminino, pelo simples fato de serem mulheres, tem alcançado índices altíssimos de vítimas por todo o país e merece nossa atenção. A cada um minuto uma mulher é estuprada e a cada duas horas uma mulher morre por feminicídio. Três em cada 5 mulheres jovens já sofreram violência por parte de seus companheiros. Pensar na superação desta violência se faz necessário, mas também é preciso uma conversão dos nossos atos que reproduzem essa violência.

Se quisermos mesmo fazer um exame de consciência para essa quaresma onde a Igreja está refletindo, com a Campanha da Fraternidade 2018, sobre a superação da violência, em especial sobre esse tema que escolhemos para refletir hoje às vésperas do Dia Internacional da Mulher, precisamos ir além do final trágico, precisamos urgentemente olhar para nossa cultura machista e nosso comportamento diante da vida das mulheres do mundo. O machismo é um mal que afeta a todos, não apenas as mulheres. A masculinidade tóxica também machuca e oprime os homens. A luta das mulheres deve ser a luta de toda a população, pois a superação da violência é dever de todo cidadão, e todo cristão. Para ajudar no enfrentamento da violência contra a mulher todos nós podemos refletir e dialogar com nossos amigos, grupos dentro e fora da igreja, em todos os espaços onde estamos. Claro, respeitando o lugar de fala das mulheres, dando voz a elas, acolhendo suas denúncias e ajudando-as em seu empoderamento.

Refletir sobre esse tema é fundamental para a superação da violência. Então, a proposta é levar esse tema para nossos grupos de jovens, e propor gestos concretos para melhorar o cotidiano de todas as mulheres e conversar sobre formas de ampliar essas atitudes de superação. Observar como vivemos pressionadas pela indústria da moda e pela cultura do corpo perfeito, pela maternidade romantizada, pela romantização dos relacionamentos (principalmente os relacionamentos abusivos), pela carreira bem sucedida, a dupla jornada de trabalho, às vezes tripla, coisas que nos obrigam a entrar num padrão, um modelo de mulher e se não formos assim, não servimos, não prestamos. É preciso rever os conceitos de “mulher perfeita”. É preciso dar voz às companheiras. Não silenciar-nos já é um caminho para esse enfrentamento.

Nos juntamos às vozes e à história de tantas mulheres que sofrem e sofreram violências físicas, sexuais, assédios, violência psicológicas, que são ou não empoderadas, que denunciaram ou não essas violências, pois sabemos que não é fácil, que somos sempre questionadas independente da atitude que tomamos. Não é fácil sermos colocadas como inimigas quando na verdade somos todas vítimas dessa sociedade individualista e patriarcal.

Que nessa quaresma, possamos refletir também sobre essa violência que, como muitas, começa como uma “brincadeira” ou “comentário inocente”, mas que inferioriza a mulher e termina como violência doméstica, abuso e até o feminicídio.

Que possamos juntas e juntos combater os ciclos de violência contra a mulher.

Links sobre os dados usados no texto:
• https://googleweblight.com/i…

• http://www.compromissoeatitude.org.br/dados-e-estatisticas…/

Link sobre a Campanha Nacional da PJ:
• http://www.pj.org.br/campanha-nacional-de-enfrentamento-ao…/

[Para mais textos, subsídios e roteiros para grupo de jovens sobre a temática entre em contato conosco].

Bianca Ortega – 25 anos, formada em Letras, professora, pejoteira, está no serviço da Coordenação Regional da PJ pela Sub-Região Sorocaba e articuladora das CEBs de Sorocaba e região e milita pelas causas das mulheres.

Sabrina Ortega Ferreira Lima – 25 anos, formada em História, professora, pejoteira, está no serviço da Coordenação da PJ na Arquidiocese de Sorocaba, participa da CEBs e milita pelas causas das mulheres.

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