FAZER DA VIDA UM ATO DE ENTREGA COMO UM SINAL DE AMOR ÀQUELE QUE SE ENTREGOU

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Chegamos ao quarto domingo da páscoa, domingo da alegria. Nossa alegria reside em ter Jesus como pastor, aquele que orienta, protege e da rumo a nossas vidas. Dentro da experiência de discipulado feita pelos cristãos a alegria repousa no fato de saber em quem confiamos, em quem conduz a história.

Nos primeiros domingos do tempo pascal, temos como primeira leitura fragmentos dos discursos de Pedro (At 10, 34.37-39; 3, 13-15.17-19; 4,8-12) que apresentam uma síntese da fé das primeiras comunidades. A comunidade lucana, berço onde nasceram Lc e At nos apresenta o que entende ser o coração da fé. É preciso entender o que aconteceu. Aquele que foi assassinado de forma cruel e em uma situação em que nos dias de hoje mais diriam que “bandido bom é bandido morto”, é o Cristo. Não foi humilhação, foi entrega. Não foi derrota, foi permanecer fiel até as ultimas consequências. A vida venceu a morte em Jesus, por isso a partir de seu nome a vida vence a morte na trajetória dos seus discípulos (At 4,10). Diante disso é preciso mudar. É preciso aderir ao caminho de vida que Jesus de Nazaré apresentou.

Na segunda leitura uma comunidade herdeira da tradição joanina apresenta também sua profissão de fé “vejam como Deus nos ama” (cf 1Jo 3.1). Dê uma pausa na leitura deste texto e pare para pensar. A paixão e ressurreição de Jesus é um grande sinal de amor, mas não só para uma mudança de conduta. Deus nos faz filhos no Filho e herdeiros com ele (1Jo 3,2). Você e eu, somos filhos de Deus. Como também tantos companheir@s e pessoas com as quais discordamos radicalmente, todos filhos de Deus!!! Mas essa proposta não foi entendida e foi rejeitada por muitos, talvez pela maioria (1Jo 3,1). A comunidade que escreve a carta se defronta com o mundo: o império romano, com sua conduta contra a vida, contra o Evangelho. Nós cristãos hoje estamos diante do capitalismo com seu desprezo pelos pobres, suas guerras onde as vítimas são os pobres, seu progresso que desconsidera a vida dos pequenos. Quem vive os “apertos” de hoje viverá as alegrias do Reino. O contemplar a Deus face a face (1Jo 3,2). A festa que não mais tem fim…

Jesus se apresenta como pastor

No trecho do Evangelho lido neste domingo a comunidade joanina nos apresenta o Cristo como Pastor (Jo 10,11.14), por isso chamamos o domingo de hoje de “Domingo do Bom Pastor”.. Diante dele rezamos pelas vocações. Jesus se apresenta como pastor. O critério que ele mesmo nos oferece é dar a vida. Em nossos serviços pastorais somos chamados a dar a vida e não “se dar bem”. O mercenário corre na hora que mais se precisa  (Jo 10, 12-13) e você? A expressão usada é se importar… e nós nos importamos com aqueles a quem servimos? Qual o lugar que ocupam em nossos projetos de vida?

No tempo de Jesus os pastores eram vistos como gente impura, por que viviam junto as ovelhas e não podiam guardar a pureza (ritual exigida pela religião da época). Se compararmos com um pastor, por mais que demonstre cuidado não é algo tão honroso.

A relação do pastor com suas ovelhas é uma relação de proximidade, de sintonia, de convivência. Aqui reside um desafio para boa parte dos agentes de pastoral: que lugar que Jesus ocupa na minha e na sua vida? É possível dizer que o conhecemos? Como reagimos a sua voz? Você gasta tempo para ouvir e reconhecer a voz do pastor? Aonde é o seu lugar de escuta por excelência? O mestre deu a vida por você. Assim, Jesus é mais do que um exemplo moral, um líder a ser seguido… Nele Deus consuma seu grande ato de amor. Nele Deus revela a minha dignidade, o meu chamado, o sentido da minha vida, por isso a Igreja tem este dia como dia de oração pelas vocações. E falando nisso, Deus te chama a quê? Já pensou nisso?

A reflexão apresentada pela comunidade joanina também é um sinal da universalidade da fé. “Tenho também outras ovelhas que não são deste redil” (Jo 10,16). Por vezes os grupos, pastorais e movimentos eclesiais parece que se sentem “donos de Jesus”. O discurso de algumas pessoas de Igreja, em alguns momentos é excludente. Este também é um domingo para reconhecermos que o Cristo é maior do que os seus discípulos.

O texto lido neste domingo em nossas comunidades termina com uma afirmação do sentido do que se faz, do caminho livremente escolhido. “ninguém toma a minha vida, eu a dou livremente” (Jo 10,18). Será que em meio aos tantos afazeres pastorais, profissionais, pessoais… Eu e você conseguimos dizer o mesmo? Como esta nosso projeto de vida? O domingo do bom pastor é um convite a aderir ao projeto de Cristo, a viver com sentido. Nossas vidas são muito importante para serem tomadas. A vida do discípulo como a vida do mestre deveria ser um ato de entrega.

 

– Ir. Joilson Toledo

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