Foi ao partir do pão

“Foi ao partir o pão.”

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Partir do Pão

 

3o Domingo da Páscoa | 1° leitura: At 2, 14 . 22-23 | Salmo 15 | 2° leitura: 1Pd 1, 17-21 | Evangelho: Lc 24, 13-35.

 

 

Estamos na Páscoa, escutando as histórias relacionadas à Ressurreição de Jesus. Neste domingo, escutamos a história dos Discípulos de Emaús, tão conhecida por nós da Pastoral da Juventude. O Ofício Divino da Juventude (ODJ) trás esta passagem como sugestão em um de seus roteiros litúrgicos e quantas vezes já não nos colocamos rezando a partir deste texto.

 

Esta história inicia-se com os Discípulos saindo tristes e cabisbaixos de Jerusalém e indo para o povoado de Emaús. Sair de Jerusalém é muito simbólico… sair do espaço do confronto, de onde há os sinais de morte, de onde o perigo nos desinstala. E era de se esperar que os discípulos estivessem tristes ao fazerem esta saída… Jesus tinha morrido!!! Além do aspecto afetivo da perda de Jesus, um amigo, companheiro de caminhada, um mestre, uma referência; eles lamentavam por que acreditavam que Jesus fosse libertar Israel (v. 21). Vale lembrar aqui que neste momento Israel estava sob o comando de Roma. A saída de Jerusalém era para além de simbólica, era uma atitude defensiva. Se fizeram isso (julgamento-condenação-morte de cruz) com Jesus, o que não fariam com eles, seus/suas seguidores/as? Era uma questão de medo em relação ao Império Romano.

 

Mas o medo nos impede de ver… os discípulos estavam como que cegos e não reconheceram quando Jesus se aproximou. Mas uma atitude de Jesus lhes acalentava… Ele aquecia os corações dos discípulos, falando e explicando sobre a Escritura. Mas os discípulos só se deram conta disto depois…

 

“Foi ao partir o pão irmãos (2x), foi ao partir o pão que Jesus se deu a conhecer…”

 

Só com a partilha do pão foi que os discípulos reconheceram Jesus. Este é o pré requisito para reconhecer a Jesus: partir o pão!!! Jesus se deu a conhecer pela comensalidade, pela hospitalidade… Tomando distância dos discípulos, estes o convidam para passar a noite em sua casa e a comer juntos. A eucarística aqui ganha vitalidade e sentido!!! Chegamos a um ponto que causa certo desconforto inclusive para alguns biblistas… a Palavra nos faz arder o coração mas o reconhecimento do Ressuscitado se dá através da partilha. Por isso nas nossas liturgias dominicais temos os dois ritos o da Palavra e o Eucarístico.

 

Mas vejam que interessante, depois de encontrar com o Ressuscitado, os discípulos voltam para Jerusalém. Eles retomam a coragem, vence o medo e voltam para encontrar com os demais para lhes contar a experiência vivida.

 

“Fica conosco Senhor pois é tarde e a noite já vem, fica conosco Senhor somos teus seguidores também.”

 

Nas prioridades da PJ Nacional, em seu eixo transversal, falamos de uma formação bíblico-teológica com um olhar especial para o feminino e este texto dos Discípulos de Emaús é um convite à pensarmos nesta perspectiva.

 

Tradicionalmente pensamos nos discípulos de Emaús como sendo dois homens. E o que mudaria em nossa compreensão se ao contrário de dois homens fosse um homem e uma mulher, se fosse um casal? O texto faz menção ao nome apenas de Cléofas. Uma das possibilidades é que o outro, seja na verdade Maria de Cléofas, tia de Jesus, e que esteve com Ele durante a crucificação (conf. Jo 19, 25).  Se assim for, Jesus ressuscitado, para a comunidade lucana, se manifesta a um casal, em sua casa, na mesa, no pão partilhado, marcas do Evangelho de Lucas. O que nos faz repensar o significado da Igreja doméstica, inclusive para os dias atuais.

 

Metodologia de Jesus

 

Esta passagem do Evangelho também nos fornece uma metodologia de como proceder na comunidade e é uma catequese valiosíssima. Jesus tem um jeito de fazer as coisas e ao lermos o texto atentamente, percebemos algumas posturas que valem apena serem ressaltadas e praticadas: Jesus aproxima-se, caminha com eles, pergunta (não dá respostas, nem receitas!), parte da realidade, ilumina com a Palavra e partilha o pão. Jesus é COM-PÃO-NHEIRO, é Aquele com quem comemos o pão juntos/as.

 

Somos seguidores/as do Ressuscitado!!! Que aprendamos a fazer como Ele fez, que tenhamos sua metodologia! Que valorizemos as experiências coletivas, quer sejam dois, ou casal… que valorizemos o comunitário em detrimento do individual. Até mesmo por que depois da experiência com o Ressuscitado, eles voltam para Jerusalém e enfrentam toda aquela realidade adversa que outrora lhes fizeram sair cabisbaixo de lá… E a missão é feita animando a toda comunidade a crer no Ressuscitado, pois se encontraram com “os onze reunidos com os outros” e lhes contaram o que havia acontecido no caminho.

 

Por Pedro Caixeta

CEBI GO

Coordenador Nacional da PJ (2006 – 2009)

pedro.caixeta.pj@gmail.com

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