É tempo de dizer: “Até logo. Seguimos juntas e juntos sempre. Gracias por tudo!”

É tempo de dizer: “Até logo. Seguimos juntas e juntos sempre. Gracias por tudo!” 

“Há muito tempo que eu saí de casa

Há muito tempo que eu caí na estrada

Há muito tempo que eu estou na vida

Foi assim que eu quis, e assim eu sou feliz…”

 

Não sei quantas vezes tentei começar a escrever alguma coisa. Sei que há tempos venho “treinando” o que poderia falar nesse momento de saída. Quantas tentativas frustradas… O coração nem sempre sabe verbalizar tudo aquilo que sente, nem a cabeça dá conta de atualizar as tantas memórias que chegam nesse tempo (sabe quando o celular fica uns dias sem sinal, e quando finalmente ele se conecta, chega a travar com as tantas mensagens quem entram? Então…).

Fiz umas contas aqui, sabendo que os números se traduzem em histórias, sentimentos, vivências e experiências que se entrelaçam, que me moldaram, que deixei e levei junto: 16 regionais visitados, 19 estados, 67 cidades (isso que não consigo contar quantas vezes estive em São Paulo e em Brasília… Praticamente minha segunda e terceira morada); 21 dioceses/grupos de jovens diferentes; 2 países… Totalizam 161 atividades acompanhadas no triênio. Nossa! Dá para explicar a dificuldade em descrever as lembranças de cada lugar estado, de cada atividade acompanhada, e de cada grupo convivido… De minha parte, o certo é que todos e tudo me marcaram, fizeram crescer e aprender. Humildemente, desejo que tenha contribuído nos processos locais, em (re)encontros, motivação e mais compromissos ainda. Importante mencionar aqui, que seguimos e ampliamos um bonito e fecundo campo de diálogo para fora da PJ também.

 

“E aprendi que se depende sempre

De tanta, muita, diferente gente

Toda pessoa sempre é as marcas

Das lições diárias de outras tantas pessoas…”

 

As marcas da PJ dos tantos lugares que estive, as dimensões que se sobressaem em cada regional, diocese, são também marcas culturais e históricas de cada região. Quando falamos de ação e de espiritualidade encarnadas, são dessas coisas que a gente faz referência também. Ações, orações, cantos, planejamentos que buscam dialogar sempre com as linguagens juvenis, com as formas como se organiza, sendo atualizados a todo momento. Temos uma piazada muito boa por esse Brasil! E aí, se dinamizam os tons e as formas de organização dos grupos, de produção de material, de cantos, danças, e até de pensar a programação de alguma atividade… Nossas juventudes sentem fome de beleza, de encanto, de novidade, de acolhida, de leveza, de coisas desengessadas, desburocratizadas, horizontais e participativas.

Se dizem que a PJ não reza, sou prova de que, em nenhum lugar que fui, essa foi uma dimensão esquecida ou mal organizada. De jeitos diferentes, nossa PJ vive a experiência do transcendente de forma bela, poética, cantada, anunciada.

Falam que nossa ação pastoral é muito mais política do que espiritual e comunitária, e penso que já é mais que tempo de superar esses dualismos. Rezar é um ato político também, que também faz a opção de que lado fica. A gente luta rezando, e reza lutando, e faz da luta um espaço fecundo para a formação de lideranças comprometidas com a causa do Reino.

Em muitos lugares, PJteiras e PJteiros inseridas/os na vida política de seus bairros e municípios, têm contribuído de forma significativa no debate e na construção de alternativas e políticas reais, mais integradas, compromissadas e de promoção social. E digo mais: é preciso qualificar muito mais nossas lideranças para essa ação. O tempo não é para brincadeira, e a gente tem o dever de oferecer um trabalho qualificado para as juventudes empobrecidas e excluídas, da classe trabalhadora, a quem servimos por opção. O capital, o conservadorismo, o patriarcado, o fascismo avançam ferozes contra as camadas populares, atingindo diretamente as e os jovens.

 

Provocações pastorais

Falando em qualificar… Mesmo com tanta beleza, precisamos refazer muitos dos nossos caminhos, retomar nossos princípios orientadores, reaprender o “Bê-A-Bá” da PJ. Não que isso seja problema, pois volta e meia se faz isso, especialmente em tempos de assembleias, de ampliadas, de avaliações e planejamentos. Porém, me refiro aqui a algo mais sintomático e, por que não, de tom até generalizado. Temos abandonado, processualmente, muito das nossas etapas de formação; perdido a paciência histórica de aprender, de ensinar e fazer memória, de inventar, de conhecer, de acompanhar, de registrar e de estudar!

Não podemos ter perfis de lideranças superficiais, que não se inquietam com o que incomoda, que normalizem tudo sem questionar nada, que não dão conta de estar junto dos grupos de jovens, de visualizar e apresentar a formação integral e a educação na fé como proposta e método pastoral, de falar palavras que foram sendo esquecidas ou sendo feitas ser esquecidas, e que não dão conta de “sair”, deixando o espaço para que outras lideranças surjam, ocupem e reoxigenem os espaços, as ações e os processos – sob esse prisma, em cima de cansaços e vícios que fazem parte de nossa humanidade, às vezes, não por maldade, vemos a PJ ser “morna”, minguar, agonizar, e não nos damos conta de que ela precisa é de gente nova também (além de investimento e opção de sacerdotes e bispos…).

Em muitos lugares, a PJ se afastou da Igreja local, da comunidade. Como assim? Há alguma compreensão equivocada sobre o entendimento do local em que se pertence, e das responsabilidades atribuídas (mais adiante falarei da corresponsabilidade da Igreja para com a PJ). Sabemos que houveram e ainda há inúmeras proibições de organização da PJ na paróquia e na diocese, que são proibições que perseguem e machucam lideranças, que as proíbem até de participar da vida da comunidade (como assim??); e sabemos também que, com sabedoria e ousadia, muitos grupos e coordenações têm resistido, buscando mediações, diálogos, e testemunhando um processo conciso e comprometido. Porém, e não são poucos os casos, há uma galera que se afastou (ou foi afastada) no tempo recente das proibições e perseguições pastorais, e que com uma reabertura, opta em não se reaproximar, em não dialogar, em não querer mais “pertencer”. A ideia não é ser masoquista, mas é de buscar um caminho do reencontro, do diálogo, da corresponsabilidade. Os bispos e padres precisam compreender que eles têm responsabilidades e deveres para com a PJ, mas eles precisam nos conhecer e ver nosso trabalho. Que tal chamar eles para uma reunião do grupo? Da coordenação paroquial e diocesana? Não só chamar: cobrar presença, cobrar assistência, cobrar suporte e espaço – sei que não é fácil, porém são “detalhes” que muitas vezes esquecemos ou optamos não fazer.

Sobre a assessoria, primeiro gostaria de dizer que sinto um nó na garganta quando vejo jovens como eu, na “flor da militância”, sendo assessoras/es. Compreendendo a/o jovem como protagonista, e compreendendo a assessoria como um papel de coadjuvante, esses casos são contraditórios. Inclusive porque essas e esses jovens assessoras/es ainda vivem seus dilemas, conflitos, e dúvidas que fazem parte da vida de jovens. E o reconhecimento e a descoberta do mundo adulto também são processuais.

Prefiro, e me corrijam se assim estiver errada, que antes se construa um caminho para animação das lideranças que seguem, do que para assessoria. Uma coisa é o grupo, a paróquia, diocese e até mesmo regional, que tenha certa fragilidade na assessoria, e a necessidade de se ter alguém vivendo essa vocação; outra coisa é entender e ter esse espaço como um espaço “natural” e “automático” para quem sai das instâncias de coordenação, ou chegar até em se utilizar dele como meio de permanecer na estrutura, por querer seguir dando as linhas para a ação pastoral local ou por não acreditar nas e nos jovens que estão e chegam nos grupos e nas coordenações, ferindo gravemente o protagonismo delas e deles.

A gente acerta muito, e é linda a dedicação que damos para uma causa nobre e justa como a de construir a Civilização do Amor, mas pecamos em outras tantas coisas, por ingenuidade, por falta de processo, por maldade (sim…). Isso é um grave erro estratégico na defesa da vida da juventude. Precisamos nos atentar mais aos sinais, às fragilidades, buscar menos a vitimização e mais as saídas.

 

Provocações eclesiais

Internamente à PJ, à Igreja (e às Igrejas particulares), às experiências de evangelização das juventudes, tem muita coisa bonita acontecendo por aí. Passado um tempo de cenário mais sombrio para nós enquanto PJ, vemos o desabrochar de bonitas flores de renascimento ou de resistência. Parece que, para nós, é como se o tão sentido inverno eclesial começasse a sinalizar que está dando espaço à primavera. O Papa Francisco tem inspirado, provocado, cobrado muito da gente enquanto Igreja. Nossa relação e diálogo com a CNBB, com organismos ligados, com pastorais, e outras comissões episcopais além a de juventude, têm sido muito bons e abertos. Falamos das belezas, das dores, dos processos, partilhamos do que desejamos, acolhemos e construímos junto, e cobramos posturas firmes quando de assuntos que atingem em forma de morte a vida da juventude.

Muita gente me perguntava e provocava para eu falar das coisas contraditórias que via nesse espaço. Não quero ser injusta nos meus juízos de valores, até porque a intenção não é essa, e não quero correr o risco de generalizar casos isolados. Por isso, o que e como abordarei algumas coisas é exatamente fruto de minhas observâncias, de partilhas pessoais, de buscar acompanhar nas redes e presencialmente. Percebo que casos são recorrentes em todos os cantos do Brasil…

Nem todo mundo que se diz companheira/o, realmente é – é uma das primeiras coisas que a gente descobre quando adentra em espaços de tensionamentos e disputas ideológicas, independente se partidária, política-social ou eclesial. Não queremos que a PJ seja a “queridinha”, a “acobertada”, a “filha única”, a “privilegiada”. A gente “só” quer ter gente como a gente, leal à gente, à proposta, ao projeto pastoral, na opção da fala, da ação e do coração, compreendendo que a opção se dá, se marca e se delineia também na dimensão simbólica.

Ainda tem bispos, padres, religiosos/as, agentes de pastorais que não assumem a PJ, que proíbem as jovens e os jovens de conhecer, de se encantar e organizar a PJ nas comunidades, paróquias e dioceses. E ainda tem os que são omissos às perseguições que a PJ sofre dos grupos mais conservadores da Igreja. Aliás, a gente sempre tem que cuidar com o que diz, como se posiciona, o que faz por aí, para não “soar” como provocação, como divisão, como heresia; mas esses grupos fazem, falam, acusam e defendem bandeiras de morte e não precisam se explicar em lugar algum.

Nós não estamos por nós mesmos. Estamos primeiro por Jesus, nosso amigo e companheiro, pelo Projeto de Vida e de Justiça que Ele anunciou e nos ensinou a fazer; e estamos também pela Igreja, que é de onde nascemos, onde aprendemos valores que primam pela vida, vivemos e nos relacionamos com o Sagrado, com a Eucaristia, com a comunidade, e onde também alimentamos a esperança do Reino. Diante disso, é incompreensível a recusa de investimentos (são financeiros sim, e não só de discurso) aos trabalhos e formação da PJ em muitos lugares, ao mesmo tempo em que se opta por altos investimentos em espaços físicos, em passeios, em luxos que se contrapõem às pobrezas do povo – inclusive, isso demonstra a discrepância que está acontecendo do que Francisco tanto tem pedido à Igreja e a quem a forma, de ser pobre para os pobres, e a simplicidade que ele vive o seu pontificado; com as práticas de muitas Igrejas particulares e de fieis.

Outra coisa: não é possível que hajam padres, bispos, religiosos/as, leigos/as com medo de denunciar as injustiças sociais, de dar nome a quem mata o povo e a Natureza, e ainda condenar quem faz. O nível de “peleguice” tem sido alarmante, e a conjuntura exige de definamos qual o nosso lado: não dá para servir a dois senhores.

Mais uma coisa, polêmica de fato, que pode ser entendida de forma precipitada como discurso ou incitação à “divisão”: não é obrigação ou responsabilidade da PJ em puxar, organizar e fazer acontecer o Setor Diocesano de Juventude nas dioceses e a Pastoral Juvenil nos regionais (sim: Setor Juventude é nas dioceses; e Pastoral Juvenil nos regionais. Não funciona a história de que as paróquias, comunidades também têm isso, porque não deveria ter. As paróquias e comunidades são os espaços privilegiados para que as expressões, pastorais, movimentos vivam seus ministérios, seus carismas, suas identidades, pois é onde dialogam diretamente com a vida comunitária e do povo).

Quando digo isso, digo por ter visto e ouvido em muitos lugares que a PJ enfraqueceu demais por ter que conduzir o Setor ou a Pastoral Juvenil, com a desculpa de que “é a mais organizada da diocese/regional”, de que “é quem tem mais expressividade, mais processo, mais gente para tocar”. Isso não é justificativa, e sim compreensão (bem) equivocada do que propõe o Documento 85 e o Estudo 103 da CNBB. Temos enfraquecido em muitos lugares porque as nossas lideranças se sobrecarregam de demandas e agendas, e/ou porque se foi deixando as formações básicas e específicas de lado em nome de uma “coletividade” que nem sempre funciona ou quer acontecer.

É fundamental estarmos junto na construção dos Setores Diocesanos e do espaço de articulação da Pastoral Juvenil, pensar atividades junto, acolher o diferente, partilhar de nossos processos, colaborar com nossos acúmulos históricos, pedir ajuda e ajudar. Isso é unidade. Porém, deixar de lado nossos processos, nossas atividades, nossa linguagem, nossos símbolos, só nos enfraquece. Formar quadro de lideranças é fundamental, e a gente só forma quando realizamos nossos processos e não abrimos mão de nossos princípios.

 

“¡Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura, jamás!”

 

Me perguntaram por aí também das coisas que mais me marcaram de forma negativa, e quais de forma positiva… A marca mais dolorida que guardo foi o processo (ou a falta dele) relacionado ao fim da Campanha Nacional Contra a Violência e Extermínio de Jovens, seja no que atinge à dimensão pastoral, à dimensão da defesa da vida da juventude, seja na reação que o corpo e o espírito tiveram. Outra experiência que marcou, pelo grau de contradições e de disputas, foram os diálogos dentro da 3ª Conferência Nacional de Juventude. Os interesses políticos de grupos, por muitas vezes, se sobressaíram aos interesses coletivos em torno dos sonhos, dos desejos, da luta pela vida de nossas jovens e nossos jovens organizadas/os ou não, dos processos construídos desde as bases.

Ser mulher nesse espaço foi (e é!) muito desafiante. Várias foram as vezes que senti, de forma sutil ou evidente, que minha opinião ou ideia foram silenciadas, descreditadas, inferiorizadas, subjugadas ou então, que precisaram da “ajuda” de algum companheiro para ter peso. O controle do corpo e dos comportamentos, da mesma forma. Na representação ou opinião política, se tinham bloqueios simbólicos por meio de falas e posturas corporais. E isso não foi só no diálogo e relação com o clero e episcopado, não (a gente costuma ouvir essas barreiras relacionadas à hierarquia da Igreja, como se o problema fosse só aí): mas foi sim interno na coordenação nacional, com a comissão nacional de assessores, com os outros tantos companheiros da PJ, e ainda nos espaços extra-pastorais (especialmente porque a representação era de uma instituição eclesial).


Hoje, após a Ampliada Nacional da PJ, em Crato/CE, somam outras marcas doloridas que ainda estão na fase de ressiginificar, assimilar o necessário, guardar o que é importante, e esquecer o que não agrega. Mas, como diz o Vini, optamos em falar das flores, e o que a ANPJ proporcionou de vivência orante, poética, popular, de debates ousados e precisos em torno das Galiléias Juvenis, só pode que apontaria para nosso fazer pastoral de forma mais profunda: temos uma flor de cinco pétalas, cada uma com uma prioridade especial. Essa flor nos orientará nos próximos anos, e precisa ressoar, colorir e perfumar nossos espaços, nossas mãos e nossos corações.


Falar da beleza emociona… Todas as acolhidas, as esperas, os testemunhos, os abraços marcaram. Mas o 11º ENPJ… Ah! Ele foi uma experiência de transcendência, de reencantamento, de renovar as promessas batismais. Me vi a adolescente de 14, 15 anos, entrando na PJ, descobrindo todo esse universo pastoral, desejando sentir tudo o que o coração dava conta de suportar e os olhos de ver. E acho que nunca chorei tanto como chorei nele, em Manaus. Quantas descargas de emoções, a poesia, os cantos, a carta do Papa…. Agradecerei a vida inteira a Deus e à PJ por ter tido a oportunidade de ter vivido essa atividade! Da mesma forma, a memória da Romaria dos Mártires toca no mais íntimo, no profundo, como marca do reencontro com o serviço, com o compromisso evangélico de sermos profetizas e profetas, e de testemunharmos o Evangelho com coerência, no compromisso com aquelas e aqueles que nos antecederam, que estão e seguirão após nós, na luta pela terra prometida para as escolhidas e escolhidos de Deus.

Foram muitas experiências, muitos aprendizados, frustrações, medos, tristezas, choros, solidões, dúvidas, encontros, aconchegos, parcerias, alegrias, e muito caminhar. Foram sentimentos muito distintos e complementares ao longo desses três anos no serviço da Secretaria Nacional da PJ. Facilmente o (re)encanto e as belezas tomavam conta do corpo. Digo com tranquilidade que as visitas aos regionais, às dioceses e, quando pude, aos grupos de jovens, foram o que mais alimentaram a alma nesse tempo, pois foi ver a concretude do nosso Projeto, mesmo que nas nossas contradições, e de ver e sentir a presença de um Deus jovem no meio.

Nos últimos meses, a luta para que o ânimo e a esperança se mantivessem foi quase que constante. Talvez tenha me tomado mais tempo do que deveria, e por isso, talvez tenha deixado de viver profundamente outras dimensões, das belezas que é estar à serviço de um projeto comum. A solidão e a ausência de acompanhamento pesaram demais. Cheguei a pensar em como seria sair antes do tempo previsto. Fui me reencontrando com Deus no espaço, e senti que teria energia para aguentar os meses que faltavam. Nesse tempo, foi fundamental experienciar o encontro regional da PJ do Norte 1, nas longínquas terras de São Gabriel da Cachoeira, no norte do Amazonas (o pôr do sol mais lindo que eu já vi na vida foi no barco que nos levava para lá, em pleno Rio Negro, das águas espelhadas e rodeado de mata, numa viagem de 30 horas). São Gabriel da Cachoeira era um lugar que já estava no coração há muitos anos, e jamais pensei que teria a oportunidade de conhecer. E logo em seguida, poder viver a mística e a experiência profunda da Romaria dos Mártires da Caminhada, em Ribeirão Cascalheira, no Mato Grosso – não dei conta de observar Dom Pedro Casaldáliga, lúcido, de cadeira de rodas, e tomado pelo mal de Parkinson.

 

“Principalmente por poder voltar

A todos os lugares onde já cheguei

Pois lá deixei um prato de comida

Um abraço amigo, um canto pra dormir e sonhar…”

 

Das vivências pessoais, muito mais nos intervalos das tantas atividades que tive a graça em participar, como foi bom ouvir por aí tantas opiniões e ideias do que e como poderia ser feito, avaliações do que poderia estar errado, novidades dos mais variados tipos e assuntos; histórias, partilhas de vida, de experiências, de vivências, de descobertas, dos desafios. Como foi bom sentir acolhidas de diferentes tipos, cafés de diferentes sabores, feijão de diferentes temperos, temperaturas e umidades que explicitam as diferenças climáticas de nosso gigante país. Fui ganhando famílias, e de cada uma guardo os diferentes abraços afetuosos que recebi gratuitamente.

Na minha pequenez de seguidora do Mestre Moreno e nos meus limites, buscando sempre oferecer tudo que tinha e estar à altura da responsabilidade do serviço, tentei testemunhar o Jesus que acredito: jovem, próximo, amigo, companheiro, comprometido, acolhedor, que joga bola e baralho, que ri, chora, brinca e é sério, que toma banho de rio e de mar, que discute, defende suas ideias e acolhe ideias novas e diferentes, e que se abre para experienciar o diferente. Na mesma pequenez e humildade, peço perdão pelo que machuquei, ofendi, negligenciei, omiti, pelo o que não dei conta de refletir, de acompanhar e de fazer.

 

“E é tão bonito quando a gente entende

Que a gente é tanta gente onde quer que a gente vá

E é tão bonito quando a gente sente

Que nunca está sozinho por mais que pense estar…”

 

Para ir terminando… Preciso agradecer demais às queridas e aos queridos que, com paciência, sabedoria, ternura e aconchego tanto conversaram, ouviram, refletiram, instigaram, vezes mais perto, vezes mais longe (me perdoem se esquecer de alguém. É tanta gente…): Josy, Alessandra, Fê, Lidi, Débora, Paulinha, Liege, Fran, Amélia, Fer, Mari, Eni, Tiago, Rafael, Marcelo, Zé, Éder, Vini, Carlinhos, Rogério, Wandinho, Candin, Luís, Leon. E à minha família que, como retrato da beleza e da ternura de Deus, sempre “esteve”: Mateus, Ivone, Francieli e Ana.

O corpo dá sinais de cansaço, e a alma também. É tempo de desacelerar um tanto, de ir à Betânia, descansar, reabastecer as energias, para voltar mais inteira para a luta, ainda que em outras frentes. Venham! Vamos esquentar uma água, fazer um chimarrão e sentar à sombra de uma árvore para partilhar a vida, as histórias, os projetos, e regar a esperança para as peleias que se desenham para as sonhadoras e os sonhadores nesta Pátria Grande. As portas da casa e do coração sempre estarão abertas; é só se achegar.

Gracias por testarem e melhorarem minha humanidade.

E contem comigo sempre! Ainda temos muita coisa para fazer juntas e juntos!

 

“É tão bonito quando a gente pisa firme

Nessas linhas que estão nas palmas de nossas mãos

É tão bonito quando a gente vai à vida

Nos caminhos onde bate, bem mais forte o coração…”

 

Aline Ogliari, caminheira e aprendiz.

Modelo/SC, 06 de fevereiro de 2017.

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