[Nossa Voz] 8 de Março – Dia Internacional da Mulher

8 de Março

Por Ana Selma da Costa*

Dia 8 de março – Dia Internacional da Mulher. Já já as lojas estarão entregando flores para suas clientes e as mensagens de Feliz Dia da Mulher estarão nos comerciais de rádio e TV, nos outdoors pelas ruas das cidades e em todos os panfletos de promoção de liquidificadores, de ferro de passar roupas, de chapinhas e secadores de cabelo. Comerciais cheios de corações elogiando as características que a sociedade tanto prima em nós mulheres princesas e rainhas: meiguice, doçura, romantismo, vaidade, beleza. Serão muitos exemplos de boas mães e esposas, iguais aquelas dos comerciais de margarina, fortalecendo o discurso da feminilidade ligada à emotividade, ao conservadorismo, ao consumismo, à passividade e à delicadeza, no intuito de reforçar o papel dado como secundário à mulher na sociedade.

O comércio de chocolate e as floriculturas adoram esta data!!!

Porém, o Dia Internacional da Mulher não é um dia festivo, é um dia de celebração. Na celebração fazemos memória! E o que é fazer memória neste dia? É lembrarmos da motivação inicial para que este dia seja considerado internacionalmente como o Dia da Mulher, é celebrarmos as conquistas e enumerarmos as opressões vividas cotidianamente por mulheres do mundo inteiro, é nominá-las. É dia de lembrarmos de todas as mulheres que lutaram por melhores condições de trabalho nas fábricas têxteis e bélicas, as que lutaram pelo direito de votar, doando suas vidas em nome de causas coletivas.

É dia de lembrarmos de todas as mulheres que foram queimadas vivas porque conheciam o poder curativo das plantas, a sabedoria dos ciclos lunares, o poder das rezas e que por saberem “demais” foram ditas malditas. Estas que exerciam o cuidado com as outras mulheres, com a vida, eram parteiras, benzedeiras, curandeiras e foram queimadas porque eram bruxas.

Mulheres simples, camponesas, agricultoras, analfabetas anônimas, como tantas outras acadêmicas que lutaram e lutam por direitos e condições iguais de trabalho, que lutam e lutaram pela vida de nossas florestas, por melhores condições de saúde e educação, por respeito. Mulheres revolucionárias, engajadas em partidos políticos, ou influenciando nas decisões da esfera pública.

Dia de memória pelas mulheres que foram escravizadas, violentadas. Que foram mortas por serem mulheres, por serem “inferiores”, e por isso, terem de tornar fácil a dominação masculina. Por todas que somos objetificadas pela mídia e pela sociedade, que temos os nossos direitos negados ou diminuídos por sermos mulheres.

O 8 de Março é dia de celebração por causa de todas elas que deram suas vidas, alimentando assim a nossa mística e nossas utopias. Dia de celebrar sabendo que temos ainda muito o que lutar. É dia de celebrar outras qualidades como força, coragem, cumplicidade, solidariedade, sororidade, e com esta última, afirmamos que não somos rivais, somos companheiras, irmãs.

A cor da luta é lilás, porque é a síntese do azul com o rosa, pois a luta das mulheres não é somente pelas mulheres. É a luta por uma sociedade igualitária, justa.

Por isso não me deseje um feliz Dia da Mulher, levante e lute comigo!!!

 

*Ana Selma da Costa é da coordenação do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos do Ceará (Cebi) e da Comissão de Assessores da Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Fortaleza.

2 Comentários

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Carol

“Nenhum direito a menos, nenhum passo atrás!”

6 de março de 2015
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Inaldo Brandão

Aninha, sempre pé no chão, ótimo texto, ótima reflexão. Que nós homens, jovens da PJ possamos enxergar que essa luta precisa de muita força e de muito apoio, estamos juntos e juntas nessa por um mundo sem machismo, sem sexismo, lutamos pela igualdade de gênero.

6 de março de 2015

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